
“Eu sou Lily Rose Beatrice Allen (nascida em 2 de maio de 1985), e sou uma cantora e compositora inglesa de música pop.” Assim Lily Allen se apresenta no Twitter, seu confessionário virtual, o recanto público em que o “mimdimim” da londrina se revela por inteiro. É no microblog e nas redes sociais, como o Facebook e o MySpace, que uma das maiores sensações musicais inglesas desta década (a década de Amy Winehouse) se mostra tão verdadeira quanto mutante. Uma marca deste mundo em fast forward em que 140 toques podem contar mais do que 140 dias de convivência “real”.
Foi o que Lily Allen admitiu na entrevista exclusiva – não por acaso, virtual – que concedeu à CRIATIVA. Ela respondeu às perguntas por e-mail, de Gotemburgo, na Suécia, uma das tantas paradas da turnê europeia do álbum It’s Not Me, It’s You, que chega ao Brasil este mês. Sucesso de público e crítica, o segundo disco é a redenção artística para a cantora de 24 anos que sintetiza em sons e letras o cotidiano de uma geração de garotas ultraconectadas na aldeia global com laptops e iPhones.
Lily nasceu no showbiz, mas os contatos e a influência dos pais, o comediante Keith Allen e a produtora de cinema Allison Owen, não foram suficientes para torná-la estrela. Em 2005, depois de ser recusada por diversas gravadoras e de ter assinado com um selo que praticamente a ignorou (o Regal Recordings estava focado em Coldplay e Gorillaz naquele momento), ela começou a postar suas músicas no MySpace. Então atraiu a atenção de milhares de ouvintes e tornou-se o primeiro grande nome a estourar pela rede social.
Quando o álbum Alright, Still foi lançado fisicamente, revelando hits refrescantes como “Smile”, o estrelato sorriu para Lily. Além de um som pop de primeira, carregado por tintas de ska, as músicas tinham letras sinceras e tratavam de temas que falavam às garotas. Como a de “Smile”, que narra a tristeza pelo “fora do namorado” e a doce volta por cima, um tanto vingativa: “Quando você me deixou da primeira vez / eu não sabia o que dizer / eu nunca tinha ficado daquele jeito (...) Depois da primeira vez que vi você chorar / isso me fez sorrir / Siiim, me fez sorrir”.
Ícone dos novos tempos, Lily logo conheceu o lado infame da fama, e sua compulsão por dizer o que pensa e cair na balada forte tornou-se alvo dos tabloides. Com o tempo, suas fotos e textos confessionais ganharam mais importância do que as faixas do álbum de estreia. O anúncio de sua gravidez, no final de 2007, e a consequente mudança forçada para hábitos mais saudáveis, como deixar de fumar, eram sinal de que Lily teria uma trégua. Mas no começo de 2008 ela sofreu um aborto espontâneo. Logo depois rompeu com o namorado e pai da criança, Ed Simons, da dupla eletrônica Chemical Brothers. O lançamento de It’s Not Me, It’s You recolocou em pauta a produção musical.
Recentemente, o leque de conquistas de Lily aumentou com um convite do estilista e fã declarado Karl Lagerfeld para que ela fosse a garota-propaganda de uma linha de bolsas daChanel. Ligada em moda, ela já tinha lançado sua própria marca de sapatos, vestidos e acessórios, a Lily Loves. (Curiosamente, no dia em que concedeu entrevista para a CRIATIVA, otwitter.com/lilyroseallen registrava: “perdi minha bolsa em Gotemburgo na noite passada. me ajude!”.)
Lily também se destaca como ativista – ela se envolve em campanhas pela igualdade dos gays, com o Partido Trabalhista inglês, a War Child (agência que trabalha para proteger crianças abaladas por guerras) e com a PETA, entidade de defesa dos animais. Mas ainda é pela música que se insere entre as mais interessantes do cenário pop, ao revelar sob uma base sonora invarialmente feliz um discurso sempre pertinente, nem sempre otimista, sobre o universo feminino.
Em “22”, do disco mais recente, ela projeta a solidão de uma mulher madura que só consegue relacionamentos fugazes: “Quando ela tinha 22, o futuro parecia brilhante / mas agora ela está perto dos 30 e sai quase todas as noites”. Em “The Fear”, reflete a indecisão de um mundo com muita informação e pouco tempo para pensar: “Eu não sei mais o que é certo e real / eu não sei mais o que significa sentir / quando nós pensamos que tudo isso será esclarecido / Eu sou tomada pelo medo.”
Por mais que ela indique o Twitter, as músicas de Lily ainda são sua melhor bula. E podem ser consumidas sem contraindicações.

Como foi sua primeira vez no Brasil, em 2007, e o que você espera dos shows de agora?Da primeira vez foi bacana, mas um pouco difícil, porque eu estava de férias, a temporada europeia já havia terminado. E daquela vez era um festival, agora é minha própria turnê, então tudo será melhor. Mas lembro que as pessoas cantavam não apenas “Smile” (o sucesso de Lily na época), mas várias músicas que não eram tão conhecidas, o que foi muito bom.
Pretende fazer compras, conhecer as baladas ou algo da cultura brasileira? Minha agenda no Brasil será muito apertada, mas farei o possível para sair e conhecer alguns clubes.
Como você encarou o fato de ter sido escolhida a nova face da Chanel? Muito lisonjeada, fiquei realmente feliz.
Você já admirava o trabalho de Karl Lagerfeld? Sempre fui uma fã ardorosa do trabalho deKarl Lagerfeld. Ele é verdadeiramente um gênio do mundo da moda, e seu trabalho nunca deixou de inspirar mesmo os estilistas mais inovadores.
Desde sempre tive meu próprio estilo, então escolher meus figurinos é de fato divertido e, na maior parte do tempo, muito fácil.
Ser apontada como ícone de um estilo a faz pensar mais no que veste para sair?
Você é continuamente perseguida por paparazzi e vê fotos suas, nas mais diversas situações, publicadas em tabloides. A superexposição na mídia a perturba?Nunca procurei ser superexposta, e às vezes isso pode ser realmente aborrecido. A propósito, quem pode gostar de paparazzi?
Como você superou o fato de ter perdido o bebê? Você pensa em ter filhos no futuro?Passei por uma situação muito desagradável no ano passado, esse é um tema bastante duro de falar. Mas obviamente eu penso em ter filhos.
Que artistas você têm ouvido? Uma de minhas novas bandas favoritas é The Big Pink. Também amo o novo single do Dizzie Rascal. Ele é incrível. Falando de artistas mulheres, sou muito fã deLa Roux. Ela é original, eu amo o que ela faz.
Como simpatizante do Twitter, você pode nos dizer quem é Lily Allen em até 140 toques?Apenas siga meu Twitter. Nele você terá a melhor descrição que poderá ter de mim. E todo dia terá muitas novidades...
1. No início de 2009, Lily, mais magra e com os cabelos bem tratados, foi capa da revista britânica Q. 2. Em uma fase peruca, ela usou duas versões do acessório, uma roxa e outra loiríssima, no festival de Glastonbury. 3. Com o visual comportado, de terninho, Lily foi ao lançamento de sua coleção de joias em julho. 4. No mesmo mês, apareceu em um restaurante de Londres com os olhos superiluminados por sombra cintilante e causou estranheza pelo excesso de maquiagem.
1. Firmando um estilo mais feminino e maduro, Lily apareceu no Swarovski Fashion Rocks em 2007 vestindo um modelo Chanel azul-escuro com transparências e carteira vermelha. 2. Em abril de 2008 ela apareceu com os cabelos platinados para logo em seguida tingi-los de pink. 3. No ano passado, tabloides noticiaram que a cantora, então com os cabelos cor-de-rosa, tinha engordado e descuidado do visual.
1.Assim que ficou famosa, a cantora chamou atenção pelas produções que misturavam vestidos com ar retrô e tênis pesados. 2. Mas o estilo excêntrico da inglesa não agradou a todos. No final de 2006, ela foi eleita pelo jornal britânico NME a cantora mais malvestida do Reino Unido. 3. Aos poucos, Lily acrescentou sapatos mais femininos ao visual. Em maio de 2007, desenvolveu uma coleção para a marca inglesa New Look.


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